Wednesday, April 30, 2008

MUSAS PÓS-MODERNAS

This summary is not available. Please click here to view the post.

Wednesday, February 13, 2008

MÚSICA E INTOLERANCIA



Estava eu passando aqui pelo meu blog, conferindo os posts , quando de repente, deparei com a garrafal acusação: INTOLERANTE. Não sou muito do tipo que responde a ataques, sobretudo por achar que as pessoas tem o direito de discordar, isso é legitimo e ótimo que seja assim, que não se concorde sempre. É assim que pessoas inteligentes e civilizadas convivem, discordando de idéias, mas defendendo o direito do outra de tê-las. Porém, ao encontrar a mesma acusação em dois outros posts, achei que isso merecia uma reflexão. É uma máxima minha: uma vez é opinião, duas é coincidência, três é estatística. Passei a me questionar: Você não está sendo mesmo intolerante Junkie Careta? será que o seu "amigo desconhecido" não está certo? passei a me auto-observar e decidi levar a coisa um pouco mais a sério. Eu passaria alguns dias, com metodologia e tudo, registrando todo e qualquer tipo de música que chegasse aos meus ouvidos. No rádio, na fila, na rua, onde eu estivesse e iria analisar com o máximo de desprendimento possível, sem intelectualismos burgueses, e, sobretudo, com o máximo de respeito e tolerância. Ouviria e anotaria coisas que de alguma forma me chamassem a atenção, tanto no sentido positivo como negativo, depois, registraria, e meus amigos que gentilmente se dão ao trabalho de passar por aqui, vão dizer o que pensam da minha "pesquisa" e confirmarem se tenho sido intolerante ou não.Televisão não, que essa já está morta e enterrada e tem velório todo domingo em sua programação.

Tendo organizado a metodologia, passei a ter dentro do carro, um bloco pra anotar tudo que me chegasse. (Junkie careta é professor e não teve dinheiro ainda pra comprar um notebook ou um pager, amigos ou inimigos sensibilizados com a situação podem enviar para suas doações para...)
A metodologia logo demonstrou-se questionável, burra mesmo(não dava pra dirigir, que é o momento que mais ouço música, e anotar, Junkie careta burro!). Passei a usar um gravador pequeno, onde eu normalmente registro alguns células de composições minhas. Eu abandonaria os meus Cds oi só recorreria a eles em casos extremos e me entregaria ao que encontrasse pela frente. Decidi começar pelo rádio. Acabou que , às vezes, ficou parecendo uma prosa de um
Caio Fernando Abreu sem o talento majestoso do original. Vamos a ela:

― Entra a primeira música do dial, ouço um eletrônico, meio safado, onde um cara com complexo de Ícaro misturado com Dorothy Gale, ficava dizendo: "my dream is to fly, over the rainbow, so high". .. 1, 2, 3 vezes...Não seja chato e metido junkiecareta... (porra , ele vai falar isso de novo?) 4 ,5, 6... (ok, a melodia é pegajosa, confessa você gostou!) vamos mudar de ares.

―Tá lá um locutor fazendo aquele clichê "raparigueiro, pinguço-machista"(Olha a tolerância Junkie careta...) e tome forró , tome, tome, tome! E tome discurso machista e lorota de "Sou gostosão, comilão, bebum e elas adoram!” (será que esse cara consegue comer alguém com esse discurso?) ok, pelo menos foi legal ele botar o hino do flamengo e sacanear com os vascaínos, admita! Vamos para outra.

―Estão lá vários locutores falando ao mesmo tempo(por que eles insistem em falar rindo? pra dar esse clima de "pra cima"?que coisa mais falsa). Ih...já vi isso em outra rádio de S. Paulo... Estão dizendo pra ligar pra lá e pedir uma música. Vou ligar pedindo "panic", dos Smiths, com aquele memorável refrão: “hang the dj, hang the dj”. Será que eles vão tocar?E tá lá o cara claramente lendo um texto... Putz! Errou a palavra! E essa pronúncia do nome da música?Que coisa macarrônica!(deixa de ser chato rapaz, tu acha que todo mundo tem a obrigação de falar Inglês ? INTOLERANTE!Vamos pra outra.

― Eu por acaso não conheço essa voz do meu celular? Fala bem essa moça! Sem clichê na voz. Ih... Vão dizer que tô falando bem porque é minha amiga.Vamos mudar então.

―Lá vem o rapaz que quer voar "over the rainbow, so high!"(de novo!) muda.

―Já chegando no trabalho, ouço no meio de uns teclados horrorosos, misturados a uma percussão sofrível, e vou identificando... Como assim? Meu Deus! já não bastasse ir em todo canto e encontrar o mundo inteiro dizendo: Ela-ela-ela-ê-ê-ê, agora vou ter que aturar uma perversão(sim, porque não posso chamar isso de versão...) de Rihana em versão forró, em português? É o fim... Fico pensando...isso não é subestimar a inteligência do público? como é que funcionam essas coisas? Fico imaginando a cena: - E ai gente? o que é que tá tocando muito nas rádios? Vamos fazer uma versão pra pegar uma carona? Se eles cantam e dançam em inglês, vão fazer o mesmo em português. Não tem como errar! Por alguns instantes comecei a pensar que intolerância, NESSE CASO, não me parece mais uma coisa assim tão ruim... Mudando de dial de novo.

―Uma Brutal caricaturização de um gay estereotipado, cantando algo parecido com "Daniela" me esgota a paciência. Graças a Deus cheguei no trabalho. Putz, isso tá começando a ficar mais dolorido que monografia!

Noite. Que dia... Saindo do trabalho e retomando a “pesquisa” :

―"Satisfaction" Euro-dance?É... Cada um faz a satisfaction que sabe e tem a que merece. Como eles adoram esse efeito no baixo... satisfaction por satisfaction, ainda prefiro a do Devo, que dependendo do mood, pode soar bem melhor que a original.

―Essa não é aquela banda de reggae que mudou de nome?Natiroots- refrão ganchudo. Bacana.Um sopro bem colocado é sempre certeiro.

―Semente, semente... Essa sementezinha deu frutos viu, porque toca p c*! Ah, acabo de descobrir que o agricultor da "semente" é o mesmo cara do sublime verso: "Quando deus te desenioô (em baianês quer dizer, desenhou, mas o cara é gaúcho...), ele tava namorando, na beira do mar do amor". Papai do céu na hora de fazer você, ele dever ter caprichado pra valer". Morango do nordeste perdeu feio!

―Opa! Bahiana na área. Boa letrista esse menina a Pitty, pena que a Mtv enlatou ela pra ser o Charlie Brown de saias, as meninas precisavam de um modelo pra idolatrar...Mas ela não tem culpa. Sabe fazer uns refrões ganchudos. Se desse uma aliviada naquele distortion prevísivel, apareceria mais as boas melodias. Essa "pulsos" que tá tocando aqui, tem uma letra no mínimo ousada. Só não gosto do "guarda os pulsos pro final, saída de emergência...". Sem querer comparar à grandiosidade dessas obras, mas, Os Sofrimentos do Jovem Werther de Goeth e Closer do Joy Division , já foram acusados de indutores de suicídio. Nunca se sabe o que o desespero pode causar, sobretudo em mentes adolescentes e inexperientes, em constantes crises de identidade e bombardeados por hormônios, pressionados por esse mundo às vezes cruel e frio, que super-valoriza o vencedor, o popular, o rico, o bonito, e ridiculariza o loser. Eu e você que já fomos adolescentes sabemos como é fácil se sentir o patinho feio nessa fase.

―O que é isso meus Deus? eles insistem... Acabo de reconhecer a melodia do Air Supply (banda que fazia sons mela-cueca nos anos 80, bobinhas, bonitinhas. Lembra de "making love out of nothing at all"? pede socorro de novo pro teu irmão mais velho ou vai no novo dicionário musical dessa geração, o youtube. Se não conseguir liga pra Milla Camões que ela te explica). Adivinha? uma versão em...em...forró muderno! socorro São Jackson do Pandeiro!!vou mudar.

―Mais uma banda de pseudo-forró, ou o que quer que isso seja.Será que esses caras não tem vergonha? Como é que um compositor se presta a fazer uma bosta dessa?INTOLERANTE Junkie Careta! Você está confirmando a teoria do seu amigo anônimo! Tá vendo como ele tá certo?Depois dos dois primeiros sublimes versos, rimando Rafael com mel, decido desligar o rádio e abrir o vidro pra ouvir o som da cidade.

Passando pela litorânea para desanuviar a cabeça, logo desisto da idéia ao passar por uma série de bares. Whathehellisthat! Se aquilo não era o próprio Inferno de Dante eu não sei o que era! Centenas de pessoas com os carros ligados com a porta do bagageiro aberta, com cada um disputando com o outro quem tocava a pior música e o mais alto possível. Incrível como essas coisas podem acontecer! Há pessoas que realmente acham que o outro tem a obrigação de ouvir o que eles consideram bom! E tome, tome, tome (argh!) e dá-lhe : "olha a barriguinha" pra cá, "quem é o gostosão daqui" pra lá. Uma infeliz fica dizendo "minha periquita!" a cada segundo com uma voz estridente. Que porra é essa? Eu adoro rock, mas nunca abri o porta-mala do carro, na praia obrigando as pessoas para ouvir "anarchy in the U.K" dos Sex Pistols , ou o "Songs for the death" dos Queens of the Stone Age !Nem nunca obriguei ninguém a ouvir Bach ou Beethoven só porque me faz bem! Aliás, já repararam? Alguém aí se lembra de um dia ter parado num bar e, subitamente alguém chega e abra a porta do bagageiro e de lá ouve Tom Jobim bombando? “retrato em branco e preto”? Por que será? Tranco as janelas e volto correndo pros meus cds. Pet sounds dos Byrds me devolve a paz e logo o velho maestro encerra a tortura anterior me equilibrando com "Luiza".

No caminho de casa, já com a alma em paz, decido comprar um remédio, aconselhado pela garganta que começa a doer. Passando perto de um posto de gasolina eis que me invade o carro, uma confusão de sons parecidos com os que encontrei na litorânea. Baixei o vidro já curioso pra saber quem seria o gênio do marketing a fazer uma originalíssima festa num posto de gasolina e constatei abismado que o inferno de Dante tinha filial: Dezenas de carros parados, centenas de garotos e garotas bebendo e fumando(fumando em posto de gasolina?) vários encostados na bomba de gasolina, falando no celular (celular em posto de gasolina?encostado na bomba? o nome do negócio não é BOMBA de gasolina?) dessa vez com uma novidade sonora: guitarras com distortion no talo, garotos com a tradicional fardinha preta "olhem-como-sou-sou-rockeiro"( hair show) olhando pros forrózeiros com cara de poucos amigos, dizendo: " bando de playboy babaca" e os forrózeiros olhando com cara de nojo pra eles de volta, com cara de: "bando de roqueiro doidão". É interessante estar do lado de fora. Foi muito engraçado reconhecer a voz de Bruce Dickinson cantando "number of the beast" de um lado se misturando no ar com uma outra de um cidadão dizendo"beber, raparigar, fazer zueira, pra voltar não tem hora". A minha esperança na tolerância saiu abalada dali.

Sábado.

Perto de casa, depois de vários carros passarem por mim, tive a sensação de estar havendo algum congresso nacional de forró na cidade. Antigamente se um carro passava por nós com o som explodindo, era quase certo encontrar um garotão ouvindo "balanço" (adoro esse rótulo...) ou o poperô da época. É curioso verificar que, os playboys continuam, mais agora foram acrescidos por novos concorrentes: os tiozinhos com suas S10 e Rangers exibindo orgulhosamente o seu som, e novos universitários (já notaram que são sempre carros grandes? do tamanho de sua falta de educação e tímpanos?) e a trilha sonora da exibição agora é o tal do "forró muderno". Não sou capaz de diferenciar uma bunda, oops, banda, de outra, não tenho interesse nenhum em tal coisa, mas admito que o mercado de trabalho que eles abriram para novas profissões é extremamente importante para o reconhecimento dessas novas ocupações, sobretudo, a mais notória de todas: o apertador de testículos. Não conhece o profissional em questão?É aquele cara que fica nos estúdios exercendo o seu ofício para que o cantor consiga chegar naquelas "músicas" 2 oitavas acima do tom natural do cantor, e pra garantir que saia com aquele tom sofriiiido, muito comum nesse meio. Foram exportados do sertanejo onde já transitavam com um certo sucesso.


Começo de semana. Preguiça...Entrando no carro pra ir pro trabalho


― Nossa... Nação Zumbi! Que coisa essa banda... no limite.Pop mundial pronto pra ser consumido, original. Taí uma banda que soube dialogar com sua tradições sem ranço e fazer um som moderno, sem a postura purista e burra da maioria. Comparo(guardadas as devidas proporções, naturalmente) com o que aconteceu com o Joy Division com a morte do Ian Curtis. Conseguir sobreviver sem a presença do vocalista mito e continuar evoluindo foi uma prova de sua qualidade. Essa rádio me dá certeza que seria preciso muito pouco pra se fazer um programa que não subestimasse a inteligência do público, se houvesse interesse. Se cuida esquemão! Se liga jabacolândia, que a lastfm, o pandora e afins já deram o toque... As grandes gravadoras já agonizam com o rabo cheio de cds encalhados. Que bom poder viver nessa época e presenciar esse paradigma ser quebrado. Quem sabe um dia, deixarão de perguntar para o artista:
- E o cd? Quando sai?

Jorge Ben... os alquimistas estão chegando...que coisa...que violão espacial é esse?Alguém tire a guitarra da mão desse homem urgente e lhe devolvam um violão!Mais esperança... Saudade do "A Tábua de Esmeralda"” e “"Samba Esquema Novo". Perfeitos. Volta e meia, acabo ouvindo.

―Trânsito lento...como pode uma cidade desse tamanho ter tantos carros? Foda! Será que nas auto- escolas ninguém mais ensina que tem que dar sinal quando se vai passar?que porra!ligo o rádio...mudo o dial...blá,blá,blá. Mudo de novo. Um locutor fazendo aquele clichê “ovo quente na boca”. Ôpa! a versão da Rihana de novo! Quero ouvir o refrão... Amu você-ê--ê-ê-ê, mas você vai me perder-ê-ê-ê. Não aguento e dou uma gargalhada no carro tão alta que o carro do lado me olha com cara de: O que é que esse maluco tem? amuu-você-ê-ê-ê foi sensacional essa foi ó-com-cú, oops, sorry, hours concours. É séria candidata a pérola do ano. Nesse semáforo, vivencio uma cena sui generis. Um carro do meu lado(s10...) para e fica tocando um cara que fica chamando uma “Solanja” a cada minuto. Do meu outro lado, um outro(um celta!preto!) toca bem alto alguma coisa parecido com “chupa que é de uva” e um bar , na avenida, toca algo como “eu vou te dar de mamar-mámá-mámá, também conhecida por “melô da vaca”. Primeiro, a ex-Atenas Brasileira, virou Jamaica Brasileira e agora virou o clone da capital cearense, a Fortaleza brasileira. Fico absolutamente convencido, como diria nosso digníssimo presidente, que São Luís virou a Meca do "forró muderno”. Agora até os bares tocam Dvs dessas bandas com seus figurinos de Xuxa e músicas de eternos abandonos, coreografias cafonas, apologias chauvinistas. Quero fugir.

―Como quem entra na chuva é pra se molhar, ligo o rádio de novo. Vanessa da Mata e Ben Harper tocando, me devolvem a sanidade mental – A lição que essa moça deixa é muito proveitosa. Vanessa faz parte dessa geração que dialoga com o passado, e agrega essa referência pro presente, acrescentando a sua marca, faz um dos melhores e mais honestos reggaes que eu ouvi nos últimos tempos, desde o brilhante “a raça humana” de Gil. Melhor que uma centena de louva-Jah espalhado pelo Brasil, que citam seu nome sem saber absolutamente nada dele, do Rastafári, do reggae, engolidos pela mesma babilônia consumista do ideário reggae que Marley tanto condenava. Vanessa só perde pra ela mesma em reggae, no lindíssimo “vermelho” com uma cozinha de fazer inveja aos irmão Barrett. Vanessa Faz parte de uma geração nova que olha pra frente, não tem medo de experimentar, botar no mesmo microondas Massive Attack e João Gilberto, ou Portishead e Gilberto Gil como faz a excelente Cibelle. Ok, a Céu também é muito boa.

― De novo o Icaro? um rifle por favor! se esse rapaz disser que quer voar de novo, eu pessoalmente empurro ele do alto do Empire State.

Intervalo do trabalho.

― Pastelaria(tempão que não fazia isso,tô cortando as frituras..)Para tudo! Outra versão em forró da Rihanna? Como será esse refrão? lá vem...“pode ficar com ela-ela-ela-ela”... ah meu Deus... inacreditável. Escolha a sua.

―Então é isso que é o tal do créu?Putz!até que é levezinho... É foda esse tipo de coisa... O cara tá aqui dizendo na entrevista desse programa, que é uma coisa simples, que quando uma criança dança não tem essa associação com sexo como fazem os adultos, que isso não influência nada(jura?) então tá... Se é pra sacanear, porque não pôe a Dayse Tigrona que não faz firula e vai direto ao ponto sem medo de ferir qual é o papel que se espera de uma dama? A M.I.A já pediu benção, sampleou e até tocou com ela(Ouça aqui em alta velocidade). O que falta? O Caetano gravar uma versão pra uma pá de gente dizer que é “arte”. Aliás, Por que não se toca Bonde do Rolê? E o Cansei de Ser Sexy (CSS pros gringos), a banda brasileira de maior sucesso no exterior? Não tem apelo popular? Não tem jabá pra tocar? Ou não tem cultura musical, pesquisa, de quem deveria informar, como alguém muito bem lembrou aqui em um comentário? Burrice mesmo? Preguiça mental de quem programa as mesmas músicas a 300 anos? A tribuna está aberta.

―O Dj dessa rádio que adoooooora hip hop disse isso? Não acredito! Mais uma coisa muito engraçada em nossas programações de rádio e tv: permite-se coisas como "bifê de buças" seja tocada diariamente no rádio, odes aos cafetões, mas não se toca Dayse Tigrona, que é muito mais sincera e escrachada. Prefere-se a pornografia dúbia do forró/hip hop, ou então, somente a americana, porque mentalidade de colonizado é assim: a pornografia deles é melhor e mais bonita que a nossa. Duvida? Separei alguns pedaços do grande esse hit do 50 cent (que alíás sabe produzir como ninguém...) tocado diariamente nas maiores rádios do país: O cara já começa dizendo “vou te levar pra loja de doces, vou te deixar lamber um pirulito...” depois dispara pérolas, do tipo: “I melt in your mouth girl, not in your hands (sacou o que ele faz na boca da garota e não nas mãos, né? Got the magic stick (varinha mágica, é?) I'm the love doctor(love doctor…tô sabendo…). Get on top then get to bouncing round like a low rider(suba, é? low rider, humm…). Climb on top, ride like you in the rodeo(suba como se você estivesse num rodeio, é?). Soon as I come through the door she get to pulling on my zipper, It's like it's a race who can get undressed quicker (torneio de quem abre o zipper mais rápido, é? taí, vou sugerir pras próximas olimpíadas...) depois ainda vem dizer que a Dayse é pornográfica!Só por causa daquele singelo verso: “corre pro banheiro e vai tocar uma p* , eu dou pra quem eu quiser que a p* da b* é minha”. È muita hipocrisia! Vai entender...
E “Doggystyle”, do safado e outrora excelente, mas que já demonstra sinais de cansaço, o
Snoop Doggy Dogg? sabe o que é isso? pois é, é aquela posição que você tá pensando mesmo... e a desbocadíssima Missy Elliott? e as sacanérrimas Salt-N-Pepa? E a sacanagem kitschie de Serge Gainsbourg, hoje elevado à categoria de “cult” ? e a sacanagem cool do Portishead?(tá, eu sei, eles são muuuuito mais que isso, também acho, mas vai dizer que aquele climão não instiga os seus mais primitivos instintos? confessa... Não é ataque puritanista não, gosto de todos aqui citados, mas só to condenando essa hipocrisia de discurso que diferencia o que é pornográfico aceitável e pornográfico inaceitável. Meu Deus! Terá sido criada o xenofobismo sacanal? Sacanagem por sacanagem, prefiro o taradão do Marvin Gaye que sabia fazer um clima,com aquelas cordas celestiais, aquele swing(opa! tô falando da música!) um cara que propõe “cura sexua”l (sexual healing) e depois convida a garota pra “let’s get it on” na cara dura, com aquela desculpa esfarrapada, é um tremendo de um sacana que entende do traçado, vamos combinar!Até hoje essas músicas são imbatíveis no quesito acasalamento, quem já namorou ao som dele sabe exatamente do que eu tô falando. Ainda prefiro também deus Prince. O cara era tão pornográfico que o foi o primeiro artista a ter na capa do CD "parental advisory" , que é o que se usa pra dizer que aquilo tem conteúdo explícito, perigoso para menores de 18 anos. “Get off” até hoje soa ousada. Neguinho vai ter que fazer mais do que arriar as calças e dizer yô! pra chegar aos pés do pequeno gênio de Minneapolis.

―Se não é a Britney! - "piece of me"- Yeah! Britney rocks now!Agora que ela não é mais apologista do himem, tá "dadeira", casa e descasa com a mesma velocidade, cagou para o próprio mito pop descartável que virou ao se apresentar orca no VMA, tá bagaceira, eu quero um pedaço dela! Só não quero aquela parte de domínio público que ela exibiu porque tava bem feia na foto, mas aceitamos negociação. A clássica “música de produtor”. Puta produção! Isso é coisa do Timbaland, ele saca da coisa.

―Dilúvio na ilha. Contei 3 árvores no meio da pista e 4 batidas entre o vinhais e o centro. Preso dentro do carro, trânsito lentíssimo, só me resta ouvir rádio. A voz grave de Cássia Eller cantando “partido alto”, só me aumenta a saudade daquela figuraça. Que falta que ela faz nesse marasmo de cantoras comportadinhas! Parecem um monte de Sandy velhas!A saudade dói mais ainda quando ouço aquela outra moça da voz grossa que conseguiu me fazer enjoar "the Blower's daughter" do Damien Rice, transformando-a em : em não sei paaaaraaaar de te olhaaaaaaaaar, eu não sei paraaaaaaaar de te olhaaaaaar...Reencarna logo Cássia! baixa em alguma cantora médium e vem dar uma aliviada nesse panorama semi-estéril!. E a Cássia ainda tinha o bom gosto de gostar de mulher!

―Isso não é aquele locutor que “arrepia os pêlinhos do carpete” ? Mas isso é uma lenda! Acho que é um clone... Mas vejo que a escola fundada por ele é bem devotada. O cara começa a tocar Roberto da fase dos motéis. Tái outro sacana... Amanhã de manhã, vou pedir o café pra nós dois... Esse já soube fazer pop como ninguém, é o pai da criança em terra brasilis. Aquela fase soul dele, quando voltou cabeludo, maconheiro e funkeiro, é perfeita. Não tem quase nada errado. Foi rei por muuuito tempo, até começar a chutar lata, aí fudeu... Que pérola! Depois de dizer que ouvimos a “gostosa” música do rei, nessa chuva “gostosa”, e que o motel X espera você pra fazer aquele amor “gostoso”, fecha com brilhantismo, dizendo que o rei ao cantar “polariza todas as atenções do universo para ele”. Isso é uma coisa Kantiana! Sobrevivi ao dilúvio. Cheguei no trabalho.

―Não! Não pode ser! Mas essa Rihanna virou uma instituição! meus ouvidos incrédulos demoram a aceitar, mas eu estou ouvindo uma versão emo de ... umbrella! Hoje a noite pra tirar uma grana pra pagar o EP, vou fazer uma versão hip-hop, vou chamar a Legenda pra fazermos uma versão reggae, Fernandim pra fazermos a versão Jazz, Guilherme Raposo para fazermos a versão trip-hop, Jeff Soares para fazermos a versão Drum’n bass! Algum amigo por aí pra ajudar a fazer a versão hard rock? uma delas vai dar certa! ou todas! Vamos ficar milionários!
Com essa acho que eu vou dar por encerrada a minha pesquisa.

Parei.

Decidi parar a pequisa ali, já tava fazendo isso a uma semana. Não quero mais ser pesquisador, dá muito trabalho. Mas foi divertido, rendeu boas risadas, alguma surpresa, indignação em ver como a máquina funciona naquilo que em minha compreensão é o emburrecimento do público, a subestimação das inteligências e que invariavelmente me dão sempre vontade de citar o velho Marx. Na forma truculenta com que produtores e a moribunda industria do disco e da mídia atuam. Depois vem chorar dizendo que a rádio cada dia mais perde pra internet. Será que eles estão surpresos?Quem em sã consciência, vai largar de ouvir uma programação feita por si mesmo, ou escolher entre uma com uma variedade de opções que o mundo virtual oferece, moldados ao gosto de quem escolhe, informativos feitos por especialistas, amantes da música e curiosos, variedade, informação, entretenimento, cultura, para ouvir as mesmas músicas, as mesmas inflexões de voz, os clichês de repertório, a falta de pesquisa de sempre?. Aliás, curiosidade e informação são palavras que agonizam nesse meio decadente.Taí alguns poucos exemplos de opções que ridicularizam o modelo falido:

http://lucioribeiro.blig.ig.com.br/
http://blogs.guardian.co.uk/arts/
http://www.allmusic.com/
http://www.bbc.co.uk/radio1/rockindie/index.shtml

Isso sem contar os manjadíssimos myspace, youtube, palcomp3,trama virtual, etc... só pra citar os mais conhecidos.

Confesso que às vezes me assustei em ver como andam as coisas. De qualquer forma, as conclusões que cheguei foram:

Não acho que não gostar do que o outro gosta e expor isso, onde quer que seja, sobretudo numa página que é minha, possa ser caracterizado como intolerância. Se for, me darei ao direito de ser intolerante, embora não ache, já que eu não saio por aí fazendo apartheid cultural, agredindo, humilhando ninguém, até mesmo por que seria anacrônico, patético, prepotente e ridículo.
Viva a democracia que me permite, fechar o vidro do carro, a janela da casa e escolher o cd que eu quiser. Eu , por exemplo já peguei, pela milionésima vez, o meu do Morrissey "you are the quarry" e volto a ficar feliz dirigindo. Não sou melhor nem pior do que ninguém só porque tô ouvindo o velho Mozz. Tô mais feliz ainda porque o próximo da fila é o Bowie, depois os Undertones, o Tim Maia Racional, O LCD Soundsystem, O Libertines, a Dinah Washington, O "Cê tá pensando que eu sou Loki" do Arnaldo Baptista, O novão do Chemical Brothers, O b-sides da Bjork. Esse é o meu mundo, lugar onde eu me recomponho e me despedaço, me construo e me destruo, com as linguagens, expressões que me identifico e dialogo com o mundo. Também me dou o direito de não gostar do que não me fala pra inteligência e pra alma e expressar isso.Por personalidade e opção de estilo na maioria das vezes com ironia, mas jamais vou empurrar goela, ou ouvido abaixo, só porque é o meu melhor, como também não vou, em nome da tolerância, ser hipócrita e dizer que acho algo bom, sem de fato achar.

Viva a educação que me faz pensar: - "Pô, não vou incomodar o meu vizinho com essa música tão alta".

Viva o que você gosta e te faz feliz, mesmo que me cause repulsa, bem como o contrário. Eu acho o que você gosta deprimente, mas, te respeito. Você acha o que eu gosto estranho e sem sentido, mas a gente divide a mesma fila no posto de gasolina sem eu te violar com o meu suposto bom gosto e você não viola o meu com o seu.

Viva a diplomacia e a civilidade que nos permite conviver no mesmo espaço sem nos comportar como selvagens ou olhar com desdém para as escolhas que as pessoas fazem pra si. Pelo menos deveria. Viva a diferença.

Falei.

P.S: e aí na sua cidade, aldeia, roça, ilha, metrópole, país? É diferente? Qual é a candidata a peróla do ano até aqui pra você?










































































Thursday, January 03, 2008

QUEM É ESSE TAL DE POP?




Estava eu numa certa locadora de cds e dvd's garimpando alguma gema, quando, de repente, ouvi um curioso diálogo. Era mais ou menos assim:

- Pô cara, até gostei deles no começo, no primeiro cd, mas aí eles viraram pop, se venderam.

Fiquei curioso para saber de quem o rocker falava, mas, dando de cara com o duplo do Blondie, lembrei que tinha que cuidar da minha própria vida. Aproximando-me pra pagar, meu desconhecido e trincheirista amigo continuava:

- Pô, outro dia, zapeando na tv a cabo, ouvi o som deles num desfile de moda! Que porra de banda de rock é essa que é fundo musical de desfile de moda?

Eu, que tenho banda e adoraria ver e ouvir minha música num desfile, sem nenhuma culpa pensei: uh huh! Viva o fundamentalismo rock! Viva o limo! Lembrei do velho
Nietzsche falando sobre o acúmulo da poeira, o montão da mesmice. Que venham os ventos que sacudam essa podridão bichosa! Aliás, abaixo o fluxo da vida, que é dinâmico!Argh! Aproveitando o embalo, vou até sugerir que defensores da moral, idoneidade e pureza do rock criem um partido. Recomendo inclusive, a criação do: Fundamentalistas Unidos Dedicados à Essência Única, o F.U.D.E.U. Sugiro ainda que eles estendam essa postura purista para todos os setores de sua vida, por exemplo, na sexual, que eles passem a transar em uma posição só, no máximo duas, porque esse negócio de experimentar, de mudar, de variar, é mesmo um absurdo. Pobres namoradas...

Ai vem os clássicos chavões, certamente você já ouviu um desses:

- Pô, o repertório dele tá muito pop.

- Essa bandinha é pop.

- Pop é o caralho! Rockn’roll na cabeça desses otários! (ai meu fígado! Logo o rock, a coisa mais “pop” do mundo).

Ou alguns autoproclamados artistas ou banda que se dizem “o pesadelo do Pop”. (que meda!).

Enfim:

Primeiro tem-se que perguntar: de que conceito de POP você está falando? Porque o termo POP sugere muitas concepções e sua definição não é nada fácil. Vamos aqui centrar em três dos mais conhecidos e definidos conceitos de POP.

Vamos à primeira:

Você está falando daquela proposta ensaiada nos anos 60 por várias bandas e/ou artistas solo e definitivamente formatada pelos fab four?(sempre eles...) porquê antes deles era assim: rock pra um lado, funk para outro, folk para um lado, música clássica para outro. Aí chegaram os 4 rapazes de Liverpool e disseram: que besteira é essa? Vamos colocar o que quisermos junto. E aí nasceu um dos conceitos mais agregadores da música contemporânea: A musica POP. Nela era possível pegar o que todos esses estilos tinham de melhor, juntá-los e criar algo único. O formato era "popular", (estrofe I+ bridge + refrão+ estrofe II+ refrão, nem sempre nessa ordem, mas normalmente obedecendo a esse formato). Tava formatada a fórmula, só que com mais um desafio: era importante que o poder de síntese fosse muito grande, fizesse a mágica acontecer em 3 minutos. Era pra ser assim, sintético, avassalador, mortal, contar a história toda nesse tempo.


Não, eu não estou dizendo que os Beatles criaram a fórmula sozinhos, só estou dizendo que com eles ela foi para as grandes massas (era pra ser popular, lembra?) e com Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, foi alçada a categoria de arte, respeitada, banhando-se de todos os elementos da cultura da época (o conceito gregário permitia isso). Aí, emulando Bob Dylan, The Velvet Underground, The Byrds novas temáticas entraram no imaginário musical popular. Vou parar por aqui porquê senão vou acabar falando só sobre eles, o que, aliás, seria absolutamente justo.


Agora se você entende a música pop como a MÚSICA DE MERCADO... Música TAMBÉM É UM PRODUTO, é um produto intelectual, mas é um produto, e não há mal nenhum que seja, ou demérito, ou você acredita que os caras que entram na música não gostariam de ganhar bem, viver dignamente do que produzem, ou serem milionários?Poucos tiveram a honestidade de um Frank Zappa ao declarar irônica e abertamente "In it for the money" (nessa, pala grana), coisa que o ótimo Supergrass fez muito anos depois. É aqui que começa a confusão. É que mesmo se encaixando no primeiro conceito mencionado, o POP também tem esse viés (e que outro estilo não o tem?). A industria pop faz ídolos a granel, para vender como vende uma mercadoria. Se um produtor vai pegar o Interpol. , que é uma banda com uma muito bem cuidada identidade visual, ou o Franz Ferdinand, que também possui a mesma característica, e cria uma estratégia para vender a imagem da banda para que o som chegue a um publico maior, não há nenhum mal nisso, o que é reprovável, é quando se vende uma imagem que não existe, sem consistência conceitual, falsa. Eles pegam todos os clichês do imaginário que se tem de todos os estilos e embrulham num pacote e vendem, normalmente, para adolescentes sem muita capacidade crítica ainda (apesar do excesso de informação disponível), buscando modelos de identidade para se espelhar. São caras que se sentam ao redor de uma mesa com marketeiros, e fazem sondagem do que o consumidor alvo irá ouvir no próximo verão, criando a próxima moda da estação, escolhem as roupas, os compositores. Estão aí as boys/girls band até hoje infernizando nossos ouvidos e olhos com suas músicas e suas coreografias pra não me deixar mentir, ou as novas bandas de forró com seus nomes compostos, distorcendo o legado deixado por Luís Gonzaga e Jackson do Pandeiro, ou a alegria profissional do axé music com sua felicidade fake enlatada e suas coreografias robóticas. Há exceções? Deve ter. Não sou o dono da verdade, essa é só a MINHA OPINIÃO. Quando a música é tratada assim SOMENTE COMO PRODUTO, perde o seu caráter de arte (lembra?é arte também!ou não?)

Há ainda uma terceira vertente muito curiosa. È a que afirma que pop é SOMENTE música sem conteúdo, porque o conteúdo mesmo está no Underground. A arte de verdade só é possível nos porões, longe das grandes massas que são controladas pelo sistema (argh! O sistema!). É uma teoria muito comum no meio rock e que se coloca como resposta (normalmente testeronada), como alternativa de combate ao “capitalista” pop. Como se pop fosse uma coisa pejorativa e o rock sim, fosse a coisa séria, anticomercial, "alternativa". Francamente! Os Rolling Stones lucraram, 300 milhões de dólares em sua última turnê, Kurt Cobain era um milionário, o egocêntrico Sting e o excepcional The Police, embolsarão ao final da turnê da volta, 20 milhões de dólares, cada um. Os grandes ídolos do Panteón Rockn'roll vivem vidas suntuosas e os caras ainda me vem com esse discurso! É ser ingênuo demais, ou desinformado! Quantos porões underground esse junkie careta que vos fala já foi e ouviu o clichê do clichê, a sub-merda do estereótipo, que por estarem nos porões não lhes davam mais talento do que realmente tinham. Submundo não dá talento pra ninguém, nem mansão, nem refletor e mídia. Sinceramente, não largaria de ir pra um mega show do Justin Timberlake, da Nelly Furtado ou do Timbaland em nome de uma ideologia equivocada de louvor às sombras. Porra, underground é nome de boate, de grife, de loja e ainda me aparece alguém com esse discurso! Quero ir ao um BOM SHOW, ver um ARTISTA/BANDA TALENTOSO(A). Se vai estar em um buraco ou num mega palco de uma bem estruturada e famosa casa, não me importa.

Há uma outra teoria muito parecida com essa, também niilista, aparentemente diferente, mas de igual teor, são os defensores da nossa “verdadeira música” : a MPB (Dãn!) sob a justificativa militante, patriótica e acadêmica, do pop (qual?) ser muito “vazio”, “sem conteúdo” muito “americano”, (ainda vou escrever sobre isso...). Ás vezes, parecem exegetas que pararam no tempo, com esse rótulo redundante, excludista e burguês chamado de MPB. Porque o certo mesmo é a poesia! (perdoai são Rimbaud...). Nesse caso, quanto mais falar das relações com o ser amado em toda a sua profundidade, melhor, de preferência de forma contemplativa, ou então com um certo ar Nerudiano (e ainda usam o santo nome de Neruda em vão...). E tome coisas do tipo: teu corpo, teu cheiro, teu gosto...e musas ideiais, perfeitas. Eles ainda tem a falta de cultura e curiosidade pelo novo de ousarem achar que tudo que é pop é ruim, ou pior é comercial (argh!!!!), porque eles adoram esse discurso! Como se as divindades do Olimpo Mpbista, não fossem um produto também .É muito importante, nesse contexto, conhecer Neruda, Maiakovski, Leminski, Pessoa, para ganhar esse verniz de “intelectual” que eles tanto apreciam. Não que não seja importante conhecer as obras desses autores. Só duvido que João do Vale, que era analfabeto e mais gênio que uma pá dos habitantes do Olimpo, conhecia algum deles. Não lembro de nenhuma citação dele em nenhuma de suas músicas, no entanto, ele produziu uma das obras mais consistentes do Brasil até hoje. Não, a culpa não é da grandiosa obra desses autores por tal heresia de concepção. É dos Mpbistas.

E os benditos tributos? E tome tributo a Chico (sempre...) a João Bosco, a Tom Jobim. Será que tem alguém que ainda duvida da genialidade desses caras e toda a valiosíssima contribuição que eles deram para a música? Creio que não. Mas, porra, será que não há além deles, nenhum artista contemporâneo digno de homenagem? Porque sempre os mesmos? E os bons e relevantes trabalhos que vem fazendo Moska, Lenine, Baleiro? Por que não se toca Sergio Sampaio, Simonal, Tim Maia, Cassiano, Mutantes nos bares? Medo de arriscar? É mais confortável não correr riscos, né? O dono do bar pode não gostar? Vai vender pouca cerveja?

Proponho um TRIBUTO AO NOVO uma vez por mês, só pra exercitar a curiosidade, a instigar, provocar, conhecer coisas novas, informar, discutir. Porque onde não se discute, onde todo mundo pensa a mesma coisa, fala a mesma coisa, ouve a mesma coisa, cristaliza-se a preguiça, a inércia, envelhece-se, as pessoas ficam chatas e monotemáticas, tem-se a mesma opinião formada sobre tudo, citando aquele sábio Bahiano do tempo que a Bahia ainda tinha a capacidade de se rebelar e quase tudo não terminava em coreografia.

Quantos shows de MPB eu já fui em que presenciei, tanto na mira dos grandes holofotes, nos ginásios, estádios, como no “underground”, cheios de um cabecismo intransponível e inacessível.(aliás, underground não, porque é palavra americana e eles não gostam...).E quantos novos trabalhos (novos?) com o mesmo tema, o mesmo timbre, a mesma batida (mais do mesmo), na zona de conforto da mesmice, que só por se dizerem defensores da “verdadeira música brasileira” acham que justificam sua preguiça intelectual, sua apatia criativa e acabam virando produto exótico pra gringo ver (logo eles, que tanto condenam o imperialismo americano!! Quanta incoerência, quanta INSENSATEZ...) Depois terminam suas carreiras apresentando-se gloriosamente no... CARNEGIE HALL! (no words...).

Pra esses, a fim de manter intacta a pureza da “nossa autêntica música”, sugiro a criação do partido co-irmão do F.U.D.E.U. A sua versão bossa nova. Refiro-me ao partido: Juntos Avante! Movimento Organizador Reestruturador Revolucionário Emancipador Único, o J.A. M.O.R.R.E.U.
Mas, não tem problema, a música Popular Brasileira é muito maior e melhor do que a MPB, se é que me entendem...

Uma última nota: procure se lembrar de uma outra característica da música POP: ela tem apelo popular, e se você entende isso, vai derrubar muitas barreiras.Quer saber, nesse sentido, pra desespero dos fundamentalistas musicais, a banda Calypso é tão pop quanto Los Hermanos! Ou vai dizer que eles não eram ou ainda não são? É muito engraçado o axioma que se escancara nesse tipo de raciocínio, é assim: ser popular é ser ruim, porque pra eles, bom mesmo é aquela banda que pouca gente conhece, porque se romper isso já perde o glamour de "para poucos". Ou seja meu amigo, quebre o seus discos do Smiths, do Gang of Four e Velvet Underground (Beatles então... é heresia!) que já são muito populares.Destrua os do Walter Franco, e o Tim Maia da fase Racional, mas, principalmente, incendeie o dos Mutantes (ou o que restou deles...) que já fizeram até excursão na América do Norte!

Aí, eu que não sou músico, me pego perguntando:
- Bethoven com sua repetições(característica constante na fórmula pop) da 9ª sinfonia, não poderia facilmente ser considerado um compositor pop? Aliás, a música clássica já não foi a música popular um dia? Ou você acha que o mundo já nasceu com a Mtv, o Myspace e Youtube e Mozart disputava espaço na preferência popular com a tataravó da Beyoncé ou da Rihanna?

- O Trash Metal, o Jazz, o Reggae, possuem um público amplo de apreciadores, não podem ser, portanto, considerados POPS? O mesmo valendo para a bossa nova?

Sim eu sei, a música pop pode ser às vezes óbvia, repetitiva, presa a fórmulas, limitada, sem originalidade, banal, mas quer saber? Metade da música dita ”underground”, “rock” ou “verdadeiramente brasileira” também pode ser acusada de exatamente a mesma coisa. Talvez seja hora pra dar uma revisada em alguns atavismos, algumas idéias, abrir a cabeça e se permitir mais, ter uma postura mais contemporânea, menos conservadora frente à arte.Não tô falando em se nivelar por baixo não.Tô falando que se alguns se permitissem mais, tivessem mais curiosidade, mais informação, não construiriam esses pré-conceitos (com hífen mesmo), e principalmente, teriam mais propriedade para falar sobre o que conhecem.Talvez novos horizontes se abrissem, novas formas de enxergar o mundo e dialogar com ele. É melhor do que, mais uma vez, citando aquele certo louco sábio, ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Talvez passassem a respeitar e reconhecer que também existem grandes artistas POPS que também são realmente bons. Como disse o jornalista carioca Arthur Dapieve: “são artesãos altamente qualificados”. Inclua aí: Paul McCartney, Brian Wilson, Johnny Mar e Morryssey, Madonna , para citar alguns artesãos estrangeiros. Por falar nela, você certamente já ouviu algum comentariozinho infeliz do tipo:

- Madona? Isso é música pra viados!

Além de revelar preconceito, que por si só já é ridículo e anacrônico, a frase revela o muro de Berlim que algumas cabeças insistem em manter erguidas. Madonna, legitima camaleônica da família de outro grande artesão,(Mr David Bowie) há anos, especializou-se em fazer um POP maiúsculo com a maior competência possível, produzindo música de alta qualidade, sempre muito antenada com a produção musical contemporânea e entra na terceira década, imprimindo a marca de seu talento à revelia de puristas, moderninhos, indies, fundamentalistas musicais e outras facções. Outros discípulos, seguem dando exemplo de competência a despeito do olhar de desdém dos críticos mais radicais. Justin Timberlake, por exemplo, apesar do estigma da ex-boys band, segue surpreendendo com seu pop radiofônico com pé no R&B. Aliás, sobre isso, parece que depois da metade da primeira década passar emulando o divertido pós-punk, parece que nessa segunda metade o caminho é beber no soul, no funk. É back to black “, como diz a Rêbordosa, pinguça assumida e versão de saias de Pete Doherty , a boa Amy Winehouse. Pops até o talo, eles nem por isso, são menos competentes que uma igreja de saudosistas que não dialoga com o passado pra olhar pra frente. São viúvas do passado em eterna lamúria, inimigos do hoje, rejeitam o agora. Viúvas eternas de Roger Waters, viúvas de Page, viúvas de Axl Rose, viúvas de Coverdale, viúvas de Malmsteen, viúvas de Renato Russo, viúvas de Chico Buarque, que ao contrário de todos eles, continua comendo Deus e o mundo!

Não, eu não deplorando a obra destes artistas e nem negando sua representatividade para o universo musical. Embora não me identifique ou admire o trabalho de alguns, reconheço sua representatividade para o desenvolvimento de seus estilos.

Por aqui, em Terra Brasílis, a carpintaria fica por conta de: Lulu Santos, Renato Russo, Arnaldo Batista, João Daniel Ulhoa (o John do Pato Fu), só para citar alguns excelentes Marceneiros.


Longe de mim, querer encerrar o assunto, ou ter a pretensão de achar que o que eu penso é que é o correto. Isso é SOMENTE A MINHA OPINIÃO, fruto de pesquisas, preferências estéticas, vivências, às vezes meras relações sentimentais com a música, como qualquer mortal anônimo que sou. É que eu tô mais interessado na mágica. Se vem dos dedos de um Petrucci ou de um Pat Metheny com suas maravilhosas técnicas, das mãos de um de garoto de 17 anos que só sabe 4 acordes, não tô nem aí. Cada um tem o Harry Potter que lhe apetece, ou vários, ou prefere o David Copperfield. Mas, o toque que dou é: certifique-se que tipo de Pop você está falando, contextualize pra não correr o risco de colocar tudo numa mesma sacola e sair falando por aí, coisas sem fundamentação, lembre-se do outro sábio, o velho e bom bardo canadense Neil Young (novinho até hoje...) que há quase 40 anos atrás já dava o toque: rust never sleeps.

É isso aí cara. a ferrugem não dorme.

Tuesday, November 27, 2007

CONFESSIONÁRIO VIRTUAL


Sabe aquele segredo inconfessável que você queria colocar pra fora, aquela sua atitude deplorável que até você se decepcionou consigo mesmo, aquela que você não teve coragem de contar pra ninguém e guardou lá no mais recôndito sótão do seu inconsciente, mas , volta e meia ela vem à tona e te incomoda, espancando a porta do consciente em forma de culpa, de mau humor, de silêncio e você não tem dinheiro suficiente para pagar as consultas do psicanalista?pois é, você não está sozinho, as muitas confissões( a última vez que vi eram 180.000) dos usuários do
Post secret
http://www.postsecretcommunity.com/ provou que a página era mais que uma nova grande fad do ano que foi lançado. Os muitos outros posts ainda este ano, estão aí pra te provar isso. Já são mais de 100 milhões de viewers. A coisa é muito simples, é uma espécie de divã virtual, uma comunidade onde são publicados os segredos confessados pelos que receberam os postais caseiros, só que sem se identificarem. Só tem uma única regra; ele pede que você fale somente se for verdade. É um projeto de arte, e de alguma forma, se fundamenta naquela teoria de Arthur Janov, (um dos gurus de John Lennon já na carreira solo). Segundo ele, o acúmulo de dores emocionais, afeta a saúde mental, a solução estaria em resolvê-los admitindo o que te faz sofrer, livrando-se dele, entre outras coisas, gritando bem alto, colocando-o para fora. A essa terapia, chamou de Primal Therapy. Nos anos 80, quem a retomou foi o Tears for Fears (shout, shout, let it all out... lembra?não? então pergunta pro teu irmão mais velho).

Voltando para a idéia do confessionário virtual, começou com ele mandando o cartão caseiro para as pessoas e, como já disse, elas escreviam o seu segredo nele, com o compromisso de ninguém saber quem elas eram. A coisa foi evoluindo e hoje, você acessa a página e faz a sua confissão on-line, seguindo o mesmo esquema de antes, só que agora virtual. E, meu amigo, como tem confissão!

Definitivamente as pessoas estavam ou estão precisando desabafar.Um ponto muito importante: você não se identifica. Isso talvez explique o alto teor de verdades ditas na página. A idéia é que depois de você faça a sua confissão, você se sinta mais leve. E se você tá pensando que vai encontrar só coisas leves do tipo: “tirei dinheiro da carteira do meu pai”, você vai cair do cavalo. As confissões vão das poéticas até as bem ácidas, às vezes até chocantes. Do mero desabafo até coisas só para Freud, Jung, Lacan, ou outro especialista da psique humana tratar.

Veja essas bem poéticas:
- Espero as pessoas juntarem as folhas, quando elas saem, e ninguém vê, eu as espalho todas no ar.
Vindo de uma garotinha, no surprises, mas quando isso vem de uma senhora de 50 anos, tem outro sabor!

Adoro essa:
- Minha avó pediu pra eu ensiná-la a mudar o recado da caixa de mensagens do telefone desde que meu avô morreu. Eu ainda não ensinei, assim, toda vez que sinto falta dele, é só ligar pra ela...

As Freudianas, tipo:
- Uso roupas audaciosas na frente dos amigos do meu marido para deixá-lo excitado”(!!??).

As Rodrigueanas:
- Dormi com o marido de minha irmã, 15 anos depois que tiramos essa foto.

Até as mais simples , do tipo desaforo pra os colegas de trabalho:

- Só porque eu sou a assistente administrativa, e me sento na recepção, isso não faz de mim a sua secretária pessoal, seu babaca!

Tem as bem engraçadas do tipo:
- Quero perder a minha virgindade dentro de um elevador. (Criativa a moça, né?)

Tem mais uma sobre espécies em extinção que é ótima:
- Vou perder a minha virgindade agora na minha lua de mel. (Elas ainda existem!!!)

Outra bem incomum:
- Eu e meu marido continuamos virgens depois de 18 meses de casados (!!!!)
e somos muito felizes. Também conhecemos mais pessoas na mesma situação e nem por isso deixam de ser felizes. (tá vendo, bando de hedonistas como eu?... nós é quem somos uns limitados...)

Tem as de adolescentes em crise:
- Tenho vergonha de ser virgem...

-Bem engraçadas do tipo:
- Será que só eu me pergunto se os pais dos outros serão bons de cama?(aposto que ela não tá sozinha...)

Mas, as minhas prediletas, são aquelas que realmente não se falam por aí, aquelas que espantam e me fazem pensar que , como disse um desses baianos por aí: “de perto, todo mundo é louco”, que a substância de que nós, seres humanos somos feitos, é realmente imprevisível, surpreendente, e uma pessoa do seu lado que está rindo, pode ser um psicopata, ou pode estar sofrendo na pele o fogo do juízo final, como disse um conterrâneo nosso, ou carregando o peso de uma culpa titânica, remoendo dores pro resto de uma vida, sem que ninguém saiba. Duvída? Olhe algumas postadas:

- Doei um fígado porque queria morrer.

- A vida é melhor somente pros outros ou eles simplesmente sabem disfarçar melhor?

- Tô assustada em perceber como é fácil disfarçar a minha doença mental para meus pais.

- Meus pais não sabem que eu sei que eles queriam ter tido um menino, e não eu.

- Convidei uma garota Judia para sair, ele me disse não. Depois fui pra casa e no youtube, vi um discurso de Hitler. Me senti confortado. (inacreditável...)

Isso porque, eu tô citando os comentários do último post, se eu fosse falar aqui dos outros muitos casos como : abuso sexual, incriminar alguém inocente e colocá-lo na cadeia por inveja, humilhar por prazer, exibicionismo, casar por puro interesse financeiro, roubar por diversão, preconceito, vingança, entre muitos outros, teríamos que fazer desse artigo um
e-book.

O negócio virou livro, Cd, Dvd e vende como água. E, se você comprar alguns dos produtos, parte do que vendem é pra garantir que não haja patrocinadores na página. Fiquei viciado um tempo e até comprei um(Érico, me devolve!!!!)

Hoje, você já pode postar o seu secret vídeo( é isso aí, registrar a sua confissão em imagem) ou se preferir, gravar o seu segredo com a sua voz no secret voices . Se quiser, pode simplesmente ouvir os segredos dos outros. Recomendo o tocante "Please help me through this..."


http://www.postsecretcommunity.com/voices

As opções estão aqui:

http://www.postsecretcommunity.com/


Diante dessas confissões, o junkie careta aqui, se pegou wondering: e se fizéssemos um confessionário virtual aqui em nossa bela província? Será que não nos surpreenderíamos também, riríamos, ficaríamos chocados? Então faço a proposta, a coisa é bem simples também e vai emular o modelo norte-americano: Confessa aí, se abre com a gente, deixa a tua mensagem aqui. De repente, quem sabe, isso até te faz sentir melhor. Não precisa deixar seu nome, estar logado, nada.
Cria um nick se quiser. Se você sentir vontade, é só deixar aqui o seu desabafo. A única regra é falar a verdade. Só. Se o Janov estiver certo, você vai estar mais leve.
Não precisa ser trágico, cômico, whatever. Tem que ser o que você quiser. Ninguém vai saber que é você.

Losers de todo o mundo, uní-vos!

O confessionário está aberto, o divã está colocado. Fique à vontade.

Thursday, April 26, 2007

NO STEREOTYPES !




Ontem fui a uma festa meio chata. O que salvou a noite foram três figuras muito exóticas e inteligentes que encontrei: Um regueiro, um rockeiro e um estudante de filosofia. Eles estavam vestidos bem à caratér para o que são.Ficamos conversando até às 5 da manhã.
Menti.

A festa em questão, não existiu, foi só pra você exercitar a sua imaginação. Mas, eu pergunto: Como é esse regueiro que você imaginou?posso tentar adivinhar?por acaso ele tinha um cabelo rasta e vestia roupas coloridas com a predominância do preto, amarelo e branco?

E o rockeiro?Por acaso ele tinha várias tatuagens no corpo, talvez usasse piercings, talvez um cabelo grande e , é claro, se vestia todo de preto com uma indefectível camisa da banda predileta dele.

E o estudante de filosofia?Talvez você tivesse imaginado que ele usasse uma tiara para prender o cabelo para trás,uma calça de algodão colorida, camisa hippye, barba por fazer ou hermânica, dessas que lembram o Camelo ou o Amarante e é claro, ele estaria de chinelos,preferencialmente uma havaiana(olha o comercial!) porque estudante de filosofia que se preze, não vai usar nenhuma sandália burguesa!E abaixo o sistema, o capitalismo, o imperialismo americano!Viva marx, Che!

É óbvio que o capitalismo talvez chega a grande praga inventada pela humanidade, Marx até hoje não foi entendido e certamente é um dos pilaraes da inteligência ocidental, Che foi um herói e os americanos se acham a polícia do mundo, representantes do próprio Deus na terra. Deus, aliás, é americano, e não brasileiro como pensam os terceiro-mundistas!Mas não quero falar disso. Quero falar de ESTEREÓTIPO, essa coisa que faz a gente ter uma visão pré-concebida e que a industria do consumo soube e sabe tão bem explorar e inculcar em nosssas cabeças.É quando a idéia já foi tão absdorvida que virou imaginário.E qual a relevância disso meu querido projeto de crítico?por acaso vc vai negar que esses simbolos não pertencem ao imaginário dos estilos e classes(!!)em questão?agora não se pode mais ter referências?Não é nada disso. É óbvio e natural que se se associe alguma imagem à alguma idéia, que elementos de uma cultura passem a ser reconhecidos pela força de sua imagem, às vezes pelo choque,pela originalidade e outros zilhões de razões.Quero falar aqui de um comportamento muito comum em nossas vida social quando acabamos deparando ou vivendo uma situação(às vezes até hilária) quando constatamos que forma e conteúdo andam em conflito. Vou citar um exemplo e você me diz se não conhece algo parecido:

Estou em São Luís do Maranhão e toco em uma banda que começou como um tributo a um artista que todos da banda adoram: Bob Marley. Seja pela suas belísssimas melodias,sua postura dentro e fora do palco, sua fé,convicção e seriedade ou por sua prodigiosa banda com uma das melhores cozinhas(baixo-bateria) que a música já deu ao mundo,escolha uma razão.Fomos tocar em um evento dedicado a Marley e antes de subirmos ao palco, foi abordado por uma figura que me perguntou: VOCÊS que são a banda que vão tocar?não parecem uma banda de reggae. Perguntei : Por que? resposta: ninguém tem uma dread. uma trança,tão vestidos todos de jeans e camiseta? que p* de visual é esse pra uma banda de reggae?sinceramente não sabia se eu ria ou chorava da declaração do meu amigo...Quer dizer que se marley não tivesse aquelas dreads perfeitas e não seguisse o "estilo regueiro" ele teria dificuldades de ser aceito ou não tocaria e cantaria o que cantava, e seria menos "regueiro". É nesse ponto que passamos a ter um problema, é quando a forma se torna mais importante que o conteúdo. Reparei também que meu amigo dizia Jah Rastafari! a cada música tocada pela radiola e perguntei a ele o que era o tal do Jah. Ele me disse:
- Tu toca reggae e não sabe quem é Jah?
Eu falei:
-Não, me ensina.
O meu amigo se enrolou, se enrolou, se enrolou e limitou-se a dizer que Jah era... e continuou enrolando.Por fim, já com raiva de mim, safou-se com uma resposta bem reducionista que resolveu um certo constrangimento em que se encontrava:
- Jah é tudo!
Então tá...Não posso culpar o meu amigo. Informação ainda é moeda de alto valor, e, nas maioria das vezes, ainda é propriedade de uma minoria privilegiada, que na maioria das vezes não a usa pra esclarecer. Ao contrário, até a usa para manipular.

Eu, pobre devoto de Marley desde a mais tenra adolescência e consumidor voraz de biografias do deus negro, me perguntei: O que ele faria se soubesse que o próprio Marley, antes de sua morte, encontrava-se abalado pelas estripulias de Haile Selassie (o Rei da Étiópia,o Jah- Rastafari,tido como representante de Deus na terra pelos Rastafaris) que, enquanto a população da Etiópia passava fome, alimentava seus leõezinhos de estimação com carne de primeira? sem contar outras...Não quero aqui, desabonar a fé de ninguém, mas pontuar algo que considero que mereça reflexão, sobretudo considerando que a imagem vendida lá fora é que somos "a Jamaica brasileira".

Em outra situação, fui a um festival de bandas de rock onde um certo vocalista subiu ao palco todo de branco(!!). Abominação! recebeu uma sonora vaia de um punhado de batmen que gritavam: sai daí pai de santo! (rsrsrsr)vaza daí! Sem noção!que p* de rockeiro é esse?e eu que tinha adorado o que considerei uma atitude transgressora do vocalista, não entendi a reação de metade de Gotham City! aliás, SEM NOÇÃO? qual é a noção que há em pleno nordeste, São Luís, quase 40 graus e ver, em pleno meio dia, um menino debaixo de um sol escaldante, todo de preto dos pés à cabeça,suando em bicas em nome do rockn'roll?

Só um reminder: O rock nasceu como uma atitude transgressora tanto no sentido musical como estético,chocando-se com os modelos de canções norte americanas das décadas anteriores à de 50,como as de Gershwin e Cole Porter(conservadoras, porém belíssimas). Eram a grande referência no mainstream na época e quem inspiravam as regras de comportamento. O R&B e o soul , ao se unirem, já haviam preparado o caminho para o rock, mas, a grande mistura que o pariu foi o blues, o country e o jazz. A idéia era ser diferente. Hoje, quando vou num evento desses e vejo todo mundo IGUAL,(parece reunião de motoristas de funerária), fico incomodado. Criou-se a farda rockn’roll(FARDA??!!). Será que eu tô ficando um tiozinho gágá e conservador?Eu deixo a reflexão de que, será que já não tá na hora (ou passou dela!)de rever alguns conceitos? Aliás , você acha que o massacration tá fazendo o que? elogiando?A coisa é tão engraçada que até os ícones do pop descartável se utilizam dos clichês da estética(ou estática!)rockn'roll ad infinitum, quando querem passar uma imagem rebelde e fortel, sem esquecer, inclusive da infaltável distorção(porque roqueiro que é roqueiro tem que usá-la!).Duvida? Então veja essa pérola que separei pra você :
Notou quase todos os clichês do rockn'roll diluídos e formatados lá? roupinha de couro preta, tachinhas, agressividade, sensualidade, cabelos em desalinho,guitarrinhas distorcidas, moto,carinha de mal...Ah, você notou que era... a Britney Priest, oops, digo Spears(!!!) né?reparou o título da música? é isso aí: I LOVE ROCKN'ROLL !E se depois dessa, você ainda acredita que, só usar o "visual rockn'roll" garante algum caráter de rebeldia, você é um sujeito de muita fé!Aliás, alguém aí ainda sabe me dizer o que é esse tal de rockn'roll depois de tantas blasfêmias feitas ao seu santo nome?

E só pra bagunçar os clichês:

- Bob Marley tocando "redemption song" com sua pegada tosca é muito mais, cru e verdadeiro, portanto , mais "rock" do que ALGUMAS 100 bandas de garotos de cabelos liiiiiiindos, imitando Malmsteen, Steve Vai ou John Petrucci. Hair show!

- Talvez a melhor banda de rock "pesado",contemporâneo,(naturalmente, em MINHA Modesta opinião) o Queens Of The Stone Age, cuja liderança está em controle de Josh Homme (foto acima), é uma das maiores usinas de riffs pesados e criativo do mundo, é loiro, olhos azuis, com pinta de galã, é tem cabelo curto!

- Um Dylan da década de 60,com seu violãozinho e seu verbo cortante, pode até produzir um efeito mais devastador do que ALGUMAS 10 bandas com guitarras no talo, arrebentando a caixa de som.

- Um Tim Maia à capela, cantando com aquele vozeirão, pode te acertar um dia com a potência daquele Marshal, daquela grande banda que você gosta.

- Elis Regina cantando "Como nossos pais" ou até mesmo um bolero (sugiro: " me deixas louca") ou "atrás da porta", com a alma na ponta da garganta, ainda pode até ser mais visceral do que Aquele vocalista gritando a 10 cds que o sistema não presta.

- deuses e semi-deuses do olimpo rockn'roll, da mais alta confiabilidade e com grande contribuição para a originalidade e dinâmica do edifício rockn'roll, como David Bowie ou Brian Ferry sempre se vestiram como quizeram, desprezando o que o rock fashion da época ditava ou dita, não importando se era a ditadura da boca-de-sino do flower-power, ou do xadrez e da flanela do grunge.Ou você tem coragem de dizer que esse elegantíssimo senhor de colete na foto não é relevante pro rock?

- Você diria que esse lorde aí na foto não é um filófofo porque não parece com o prótótipo pré-estabelecido pelo imaginário coletivo? Pois é, ele é Jean Paul Sartre que deixou para o mundo, obras do porte de "o ser e o nada" e "critica da razão dialética" e é um dos maiores filósofos de nossa sociedade contemporânea.

E antes que me interpretem erradamente:Não. EU NÃO ESTOU FALANDO de você que adora a sua banda e quer estampá-la no seu peito. EU NÃO ESTOU FALANDO de você que gosta de se vestir de preto por se identificar com a cor, ou por simplesmente gostar . EU NÃO ESTOU FALANDO de você que gosta de ter seu cabelo grande porque gosta e pronto! Aliás , esse junkie careta que vos fala, usou cabelo grande por 10 anos(!!!) até o dia que se olhou no espelho e disse: esse seu visual está cansado,não te traduz mais. Enjoei daquela aparência,cortei.

TÔ FALANDO DO LADO RUIM DA LARANJA.Eu estou falando da distorção(DISTORTION!), da incapacidade de diferenciar, de ser engolido pela forma em detrimento do conteúdo,de virar uma caricatura anti-social porque alguma publicação, ídolo, estação de TV, te plantou essa ideologia e essa estética e você não percebeu que está sendo manipulado. Tenha o visual que você queira, ouça a música que você queira, pense o que você queira, mas, saiba PORQUÊ, pra não ser vítima da indústria midiática, pra não ser fantoche na mão dos comandantes do mainstream . Não se iluda, that's ALSO business man!. TAMBÉM é negócio cara!ou você acha que os Beatles teriam sido os Beatles sem a ajuda de Brian Epstein?(seu produtor)ou Marley teria o impacto que teve no cenario musical não fosse o brilhante trabalho de marketing de Chris Blackwell, apresentando os Wailers com uma áurea "rock"(tô cansado de dizer isso...)com aquela capa de "Catch a fire", e principalmente, na maravilha que era a capa de " Burnin' " na Inglaterrra,com as letras no encarte pra que se pudesse ver a sua consistência política e poética? Não fosse por isso,eles seriam reduzidos a mais um produto exótico terceiro-mundista, diluído no rótulo burro chamado world-music, que é quando por preguiça de pensar, os gringos colocam tudo na mesma sacola.

Pra terminar,m eu amigo Eduardo Patrício, ex-baterista da melhor banda que já apareceu por aqui(mais uma vez em MINHA opinião) a super anti-clichê CATARINA MINA , me lembrou na postagem anterior a essa em seu comentário, de uma construção de Zeca Baleiro(inteligentíssimo, sempre), em que numa determinada canção cita: /Mais bobo que banda de rock/. Lembro que quando ouvi pela primeira vez esse verso cantado por Zeca, meu coraçãozinho rockn'roll tremeu... Mas quer saber, ele tá certo. Se for olhar direito pro universo Pop/Rock, Ele tá falando daquela banda que por distorcer o som e falar palavrão, acha que é o inimigo numero 1 do sistema, ou daquela outra que por causa da franjinha e da maquigem, se acham a última jujuba do saco com aquele ar de tédio eterno, ou aquela cara de "foda-se o sistema!" e não diz nada em suas letras, não toca nada, ou NÃO FAZ NADA para mudá-lo. O Baleiro tá certo. Ele não deve ter ouvido o Ok Computer do Radiohead ainda, ou o primeiro dos Mutantes, ou não gosta.E daí se não gostar?quem foi que disse que todos tem que gostar da mesma coisa?

Em suma:

Não deixe de ir pro seu show porque a sua camisa preta tá suja,vá com a ROSA se quizer(vai perder uma noite divertida por causa da p* de uma camisa?).

Não deixe de ir curtir a sua radiola naquele bar, porque sua camisa de cores jamaicanas ainda tá molhada, ou a sua saia rodada ainda não enxugou, ou a sua sandália baixa partiu a tira. Vá como queira, como possa.

Só tem o seu Versace no guarda-roupa agora e você quer ir pro congresso de filosofia? Vá. Lembre de Sartre que estava sempre impecável, clássico e deixou a sua marca na humanidade.

Ah, só restou aquela camisa do atacadão Itarec que você comprou? No problem. Vá. Se não, fique em casa, lendo aquele livro incrível, ouvindo aquele som que te transporta.Tá chovendo mesmo.

Pensar, tocar, criar, não precisa de amarras. Gente não é remédio pra ter rótulo. Estilo musical não é empresa pra ter farda. Coloque a cama na varanda quando todos praguejarem contra o frio(Raul!), só pra variar. Aliás, siga o conselho do mestre Raul, dê uma variada. Destribalize. Vá na rave daquele seu amigo, não vire um fundamentalista, um xiita. Vai lhe fazer muito bem. Vá de terno pra praia se quizer(não recomendaria,tá um calor infernal esses dias, mas, se você tá afim...)Quer ouvir ABBA depois do Pantera?(rsrsrs), no problem. Depois do Dream Theater , você quer ouvir aquela banda que toca mal pra caramba, mas que te capturou? vai fundo. Recomendo o Arctic Monkeys, ou o White Stripes. Gosta de disco music mais tá com medo do que o pessoal vai pensar?relaxa cara, você tá muito tenso...Fred mercury era gay, Bowie e Molko são Bi, o Flamengo é penta e Serguey é Pan!(rsrsrsr) tu não te garante não rapá?(rsrsrsrsr). Deixa de ser preconceituoso. Forget your troubles and dance! já dizia Marley. Relaxa... você tá levando esse negócio muito a sério.
__________________________________________________